Abordagem de Ensino Baseada no Jogo

domingo, 17 de fevereiro de 2013

JOGO CONCEITUAL PARA A "PAREDE" E FINALIZAÇÃO DE MÉDIA DISTÂNCIA

Jogo Conceitual para a Parede e Finalização de Meia Distância
Princípio: Preparação para a Finalização;

Sub-Princípio: Momentos da Finalização;

Complexidade: 2 (Média);

Objetivo: Introduzir o conceito de "Parede" (jogar de costas para o gol) para os atacantes, e assim, realizem o passe para trás, para o meia finalizar de média distância.

Tempos: 6 X 5';

Adaptação Biológica: Força Específica;

Materiais: Discos, coletes e bolas.

Descrição

Número de Jogadores: 18 (3:1:4 + 1 goleiro para cada equipe)    Dimensões do campo: 1/2.

Jogo Conceitual, onde o campo de jogo deve ser dividido em três setores (1,2 e 3). No setor 1, jogam os 3 zagueiros, o goleiro e os 4 atacantes adversários. No setor 2, jogam 1 meia de cada equipe. No setor 3, repete a mesma ordem do setor 1, sendo da equipe contrária.

O goleiro deve sair jogando com um dos zaguieros, que terá que realizar um passe longo (lançamento) até o setor 3, sem tocar na grama do setor 2. Do setor 3, um dos atacantes realizará a "parede" e fará o retorno para o meia finalizar de meia distância (de fora da área penal) sobre oposição do meia adversário.  

domingo, 10 de fevereiro de 2013

PERIODIZAÇÃO TÁTICA vs MODELO DE CARGAS SELETIVAS

Foto
 
"...havia a ciência Newtoniana. E, Ludwig von Bertalanffy disse: deixe o sistema todo ser maior do que a soma de suas partes. Norbert Wiener acrescentou: deixe o feedback negativo e positivo fluírem por todo o sistema. Ross Ashby falou: deixe o sistema ter a quantidade de variedade necessária para interagir com seu ambiente. E nasceu a teoria geral de sistemas." (Ward, 2002)

Vítor Frade (1990) reconhece que o futebol é um jogo de dinâmicas cuja invariante estrutural é a Interação. Partindo desta perspectiva, o jogar é uma totalidade que resulta das interações dos jogadores e por isso, não deve ser interpretado como um somatório de acontecimentos aleatórios porque se inscreve num contexto coletivo.
 
Esta lógica faz-nos reconhecer que o determinismo causa-efeito (institucionalizado pelo behaviorismo de Watson) não permite apreender os efeitos das decisões no sistema ou seja, retrata uma realidade distorcida e carenciada das relações e dos efeitos que cada comportamento induz na dinâmica do jogar porque a comunicação visual, a linguagem, a gestualidade corporal, a sugestão, a imitação, as reações de cada momento do jogo tem repercussões contextualizadas (Gomes, 2006).
 
E quando nos referimos a Periodização Tática, não podemos esquecer que esta metodologia de treinamento em futebol, é norteada pelo Modelo de Jogo. E, o Modelo de Jogo em futebol é normalmente mal entendido. Muitos falam dele como sendo, o Sistema ou Esquema de Jogo empregado, ou, distribuição inicial adotada pelos jogadores no terreno de jogo (Tamarit, 2007).
 
Corroboro com Tamarit (2007) que o Modelo de Jogo é muito mais do que isso. O autor cita uma definição de Portolés (2007) para explicar melhor o conceito de Modelo de Jogo:
 
[...] um Modelo de Jogo é algo que identifica uma equipe determinada. Não é só um Sistema de Jogo, não é o posicionamento dos jogadores, mas, é a forma como esses jogadores se relacionam entre si e como expressam sua forma de como veem o futebol.
 
Simplificando, significa dizer que, o Modelo de Jogo é uma visão futura do que pretendemos que a nossa equipe realize de forma regular nos diferentes momentos do jogo (Organização Ofensiva, Transição Defensiva, Organização Defensiva e Transição Ofensiva).

Assim, a natureza do jogo caracteriza-se pela dinâmica das relações de cooperação dos colegas da equipe para transceder os próprios adversários e por isso, os problemas que se colocam às equipes e jogadores são de natureza tática (Frade, 1989 apud Gomes, 2006). Através deste conceito, enaltecemos que a adequabilidade da decisão é fundamental para resolver as dificuldades impostas pelo adversário e por isso, as exigências coletivas e individuais que se colocam são de ordem tático-técnicas, e não, técnico-tático, como sempre escutamos por aí (Gomes, 2006). 
 
Em relação ao Modelo de Cargas de Seletivas, o seu criador Prof.: Dr. Antônio Carlos Gomes (2009), relata que:
Os exercícios técnicos e os táticos devem estar inseridos em todo o processo do treinamento, destinando a maior parte do tempo a essas ações, pois é nelas que ocorreá o aperfeiçoamento ótimo das capacidades competitivas do desportista.
 Pecebe-se com esta citação que, o autor tem preocupação de que seu método não seja descontextualizado da especificidade do jogo. Mas, não existe nenhuma referência ao Modelo de Jogo. Só referências específicas sobre as capacidades motoras que o jogador de futebol deve ter para conseguir vencer a maratona de jogos da temporada, não preocupado com a qualidade de JOGO da equipe.  
 
Desta forma, lembro de uma declaração de José Mourinho, que disse algo parecido com isto:
Não consigo avaliar um jogador fora do Modelo de Jogo da equipe. Para mim, não basta o jogador estar bem preparado fisicamente, ele tem que saber o que fazer nos diversos momentos do jogo. Assim estará ajudando a equipe.
 
 Sendo assim, quanto mais elaborado seja o Modelo de Jogo e melhor exposto aos seus jogadores, mais claro estes terão o que tem que fazer em cada momento determinado do jogo, e nem por isso converter-se em um mecanismo, pois como temos visto, a Periodização Tática promoverá um "mecanismo não mecânico" (Tamarit, 2007).
 
Referências
 
GOMES, A. C. Treinamento Desportivo: estruturação e periodização. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.
 
GOMES, M. S. Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico dos Pés Dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica - um estudo de caso - Porto, 2006.
 
TAMARIT, X. Que és la "Periodización Táctica"? Vivenciar el juego para condicionar el Juego. MCSports, 2007. 
 
 

 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MODELO DE CARGAS SELETIVAS vs PERIODIZAÇÃO TÁTICA

Quatro formas de treinar futebol, 3 descontextualizadas e 1 coerente. Concordam?Quatro formas de treinar futebol, 3 descontextualizadas e 1 coerente. Concordam?Quatro formas de treinar futebol, 3 descontextualizadas e 1 coerente. Concordam?Quatro formas de treinar futebol, 3 descontextualizadas e 1 coerente. Concordam?

 
No Brasil foi criado um modelo de periodização (Prof.: Dr. Antônio Carlos Gomes) para atender o calendário dos desportos coletivos, principalmente, o futebol, que, por apresentar uma grande quantidade de jogos na temporada, dificulta a distribuição das cargas de treinamento no macrociclo. O modelo nasce em virtude de o futebol não apresentar tempo hábil (grande reclamação dos treinadores no início do ano em todos os programas esportivos nacionais) para uma boa preparação dos jogadores antes do início dos estaduais (GOMES, 2009).
Como os jogos desportos coletivos de invasão (JDCI), de forma geral, não exigem o desenvolvimento das capacidades máximas e, sim, submáximas, nos últimos anos, foi elaborado um modelo de organização de cargas na temporada que permanece durante todo o ciclo com o volume inalterado, procurando uma forma de qualificação durante toda a temporada e alternando as capacidades de treinamento a cada mês durante o ciclo competitivo (GOMES, 2009).
No modelo de cargas seletivas, o principal alvo do aperfeiçoamento no treinamento está nas capacidades de velocidade. Pois, na prática, verifica-se que o ciclo anual de 52 semanas deve ser subdividido em duas etapas, caracterizando, assim, uma periodização dupla com duração de 26 semanas cada (GOMES, 2009). O autor segue relatando que:


No futebol moderno, o técnico tem dificuldades de prescrever o conteúdo do treinamento, pois o calendário apresenta uma grande quantidade de jogos em âmbito regional, nacional e internacional que devem ser disputados com altorendimento devido aos sistemas utilizados na classificação.










Com esse sistema, o volume do treinamento oscila muito pouco durante todo o ciclo anual de competições; consequentemente, a forma desportiva apresenta uma tendência de melhora durante toda a etapa, diminuindo na fase de pré-temporada em razão de uma pequena redução do volume no início da segunda etapa competitiva. O período competitivo no futebol varia de 8 a 10 meses no ano, com uma quantidade de 75 a 85 jogos na temporada (GOMES, 2009).  

A essência da prática do futebol, não exige o desenvolvimento e o aperfeiçoamento das capacidades motoras no seu máximo. Por outro lado, trata-se de um desporto que, na sua atividade competitiva, caracteriza-se pelos esforços intermitentes executados em velocidade, com alto volume de diversas ações motoras e que exige capacidade anaeróbia e aeróbia (mista). Além da força e da resistência especial,  utiliza também a flexibilidade para a execução de movimentos técnicos exigidos pelo jogo (GOMES, 2009).  
 Observo que, neste modelo de periodização do treinamento em futebol, não evidenciamos uma preocupação com a forma de jogar da equipe (jogo coletivo), o autor afirma que, no futebol moderno, o técnico tem dificuldades de prescrever o conteúdo do treinamento. Em contrapartida, quando ouvimos relatos sobre a Periodização Tática, ainda observo certa resistência por parte de alguns profissionais. Mas, para que possamos compreender melhor esta metodologia de treinamento específica para o futebol, pensando em organização coletiva, Vítor Frade (in Martins, 2003) revela que, a tática resulta deste conceito de Organização e por isso, compreende uma determinada expressão física, técnica e psicológica. Sendo assim, a Tática subentende o desenvolvimento dos princípios de ação da equipe que induzem a adaptações concretas a nível físico, técnico e psicológico. Gomes (2006), nos mostra que, face a este entendimento percebemos que a exacerbação física tem um papel subjulgado ao desenvolvimento das relações entre os jogadores para assim, criar uma entidade coletiva e portanto, uma organização. Deste modo, esta concepção desafia a Teoria Convencional do Treino uma vez que esta se preocupa fundamentalmente com as aquisições físicas dos jogadores em detrimento de um entendimento coletivo e das relações que o constituem. E, nisto se enquadra o Modelo de Jogo. O Modelo de Jogo confere um determinado sentido ao desenvolvimento do processo face a um conjunto de regularidades que se pretendem observar. Deste modo, o modelo permite responder à questão: para onde vamos? A pertinência desta questão parece-nos fundamental para desenvolver um processo direcionado para um determinado JOGAR, ou seja, para um processo intencional. A partir dele criam-se um conjunto de referências que definem a organização da equipe e jogadores nos vários momentos do jogo. Deste modo, o modelo orienta o processo para um jogar concreto através dos princípios coletivos e individuais em função do que é pretendido. Neste sentido, trata-se de desenvolver um jogar Específico e não um jogar qualquer (Gomes, 2006).
 Quando comparamos os dois modelos de treinamento criados para periodizar a performance em futebol, podemos dizer que a primeira (Modelo de Cargas Seletivas) está diretamente preocupado com o caráter físico do jogador e a segunda (Periodização Tática) está preocupado com um JOGAR ESPECÍFICO perspectivado pelo Modelo de Jogo, onde, o técnico assume essa responsabilidade de operacioná-lo durante a semana com o Morfociclo Padrão, que é utilizado da segunda semana de trabalho até a última e, não durante um microciclo, mesociclo ou macrociclo anual. 
Mas, temos que ter em mente que, são apenas duas formas de treinar o futebol e, claro que as duas obtêm resultados, mas, a forma de operacionalização de cada uma é totalmente diferente. Uma pautada na física e a outra, pautada no fractal, na complexidade. Que é normal causar estranheza.
(...) O êxito no futebol tem mil receitas. O treinador deve crer numa, e com ela seduzir os seus jogadores.
(Valdano, 1998)
Referências

GOMES, A. C. Treinamento Desportivo: estruturação e periodização. 2 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

GOMES, M. S. Do Pé como Técnica ao Pensamento Técnico dos Pés Dentro da Caixa Preta da Periodização Táctica - um estudo de caso- Porto, 2006.

MARTINS, F. A "Periodização Táctica" segundo Vítor Frade: Mais do que um conceito, uma forma de estar e de reflectir o futebol. FCDEF-UP. Porto, 2003.