Abordagem de Ensino Baseada no Jogo

sexta-feira, 27 de maio de 2011

COMO FORMAR LATERAIS?



Essa foi uma das indagações que cheguei num curso de aperfeiçoamento que fiz no passado em Curitiba. Os profissionais do Clube Atlético Paranaense que ministraram o curso, responderam que essa é uma pergunta bem difícil de ser respondida, devido à escassez de laterais no futebol mundial. Mas após muito conversamos, chegamos a um consenso de que, os sistemas e esquemas táticos estão acabando com os laterais.

Muitos técnicos têm utilizado meias e volantes nas laterais. E isso tem causado sérios problemas com a atuação dos laterais de origem em algumas equipes do nosso futebol. Como trabalho em uma escola de formação de talentos para o futebol e mesmo sabendo que o futebol é um esporte extremamente democrático, onde todos os biótipos podem praticar, temos que ter algum parâmetro:

Laterais

Características físicas: as qualidades físicas que destacamos são, estatura a qual deveria situar-se entre 1,65 metro a 1,75 metro, resistência, velocidade, coordenação e agilidade.

Características técnicas: desarme, antecipação, domínio de bola, precisão no passe e nos cruzamentos, domínio dos espaços e recuperação.

Características táticas: as principais qualidades táticas de nossos laterais devem ser: entrosamento com os companheiros, noção de cobertura e colocação. Estas são as mais marcantes qualidades a serem desenvolvidas e para as quais devemos estar sempre atentos, treinando e aperfeiçoando-as sempre que possível.

Características psicológicas: podemos citar como qualidades mais desejadas: a coragem, a determinação, a agressividade, a iniciativa e o controle emocional.

Tendo identificado algumas dessas características em algum menino durante os treinamentos, nós profissionais da área temos a obrigação de expor isso para o menino e de alguma forma, orientá-lo para que se dedique a essa posição tão importante e carente em nosso esporte. E nunca esquecer, o grande segredo da formação é a habilidade motora!

domingo, 22 de maio de 2011

RELAÇÃO DO PORTADOR DE ALTAS HABILIDADES COM OS POSSÍVEIS TALENTOS NO FUTEBOL



Vivemos num país considerado como o "país do futebol", que participou de todas as copas e é o maior vencedor. Nossos jogadores percorrem o mundo, jogando em todas as ligas e nos maiores clubes. São considerados os melhores.

Mas, para que possamos começar a entender essa nossa superioridade frente aos outros países, já que não temos tantas condições financeiras qauntos eles, temos que ter consciência de um fato que está deixando de ser novidade para muitos: a questão dos Portadores de Altas Habilidades, ou como muitos preferem, os Superdotados. A definição de Superdotados aceita pelo MEC (1995) é a de que:
"são considerados Superdotados todos aqueles que apresentam notável desempenho e/ou elevada potencialidade em qualquer um dos seguintes aspectos, isolados ou combinados:
  • Capacidade Intelectual Geral;
  • Aptidão Acadêmica Específica;
  • Pensamento Criador ou Produtivo;
  • Capacidade de Liderança;
  • Talento Especial para Artes Visuais, Dramáticas e Musicais; e
  • Capacidade Psicomotora".
 Meu foco de estudo é com o tipo psicomotor, que se destaca por apresentar: habilidade e interesse pelas atividades psicomotoras, evidenciando habilidades e desempenho nessa área fora do comum, relativo à velocidade (velocidade de pensamento), agilidade de movimentos, força e resistência, controle e coordenação motora. Todos requisitos indispensáveis para um talento no futebol, além de ter pensamento criador ou produtivo e capacidade de liderança.

Sabemos também que algumas dessas características são de ordem genética. Mas, segundo o grande pesquisador das Altas Habilidades/Superdotação Joseph Renzulli (1976), os comportamentos de Superdotação resultam de um conjunto de três traços:
  • Envolvimento com a tarefa;
  • Criatividade; e
  • Habilidade acima da média.
O Superdotado encontra-se na intersecção dos três traços.


Tendo esses conhecimentos, quem trabalha com treinamento, independentemente de ser com futebol ou não, tem de procurar verificar as aptidões dos jovens nos treinamentos, nos jogos e em exercícios de coordenação complexa.

O futebol é altamente exigente quanto aos níveis de coordenação, destreza e habilidades táticas e técnicas na execução das ações de jogo, sempre acompanhado de grandes doses de precisão e tomada de decisão sob pressão de tempo. A necessidade de velocidade de execução nos leva a dispor na maioria dos gestos de velocidade mental, ou rapidez como elemento imprescindível para a eficácia nas ações individuais e coletivas. Nessas ações, os jogadores com seu rendimento constituem o elemento fundamental da performance da equipe na partida. E jogadores que têm esse diferencial, ou Altas Habilidades/Superdotação, já mostram qualidade muito prematuramente, desde as categorias de formação. São pessoas que estão sempre à frente, lendo as jogadas antes mesmo de elas acontecerem.

Por isso, precisamos que todos os que trabalham com categorias de formação e detecção de novos talentos para o futebol prestem muita atenção nos aspectos motores dos jovens atletas, mas também fiquem atentos para certas situações como:
  •  Poder de persuasão;
  •  Liderança;
  •  Criatividade;
  •  Níveis de desenvolvimento positivo das categorias gerais de personalidade;
  •  Capacidade de jogo e render com o resultado (como condição física, tática/técnica);
  • Motivação; e
  • Capacidade de resolução de problemas.

Tudo isso vai fazer com que continuemos sendo a potência que somos no futebol e tendo ótimos resultados dentro e fora dos gramados.

P.S.: para ser treinador de futebol é necessário ter conhecimentos além dos quesitos específicos do campo.

Referências

Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Especial. Diretrizes gerais para o atendimento educacional aos alunos portadores de altas habilidades/superdotação e talentos. Brasília: MEC/SEESP, 1995a.

RENZULLI, Joseph S. et. al. Scales for rating the behavioral characteristics of superior students. Mansfield Center, Connecticut: Creative Learnning Press, 1976.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

JOGAR BONITO OU GANHAR TÍTULOS?


Declaração do volante Denílson (Arsenal) coloca novamente em pauta a questão: Jogar Bonito ou Ganhar Títulos?
“Eu simplesmente me encontrei com Arsène Wenger e disse a ele como eu me sinto e ele concordou em me deixar sair. Sei que algumas pessoas vão me achar louco, e elas têm esse direito. É um grande clube, com uma grande organização e um grande técnico. É bom jogar um futebol bonito, mas as vezes você precisa jogar feio para ser um vencedor e ser bem sucedido. Tenho uma boa vida no Arsenal, mas há outras coisas que são importantes”. 

Para ver a matéria na integra  http://espn.estadao.com.br/arsenal/noticia/192762_CANSADO+DE+NAO+GANHAR+NADA+DENILSON+PEDE+E+DEVE+DEIXAR+O+ARSENAL+NA+PROXIMA+TEMPORADA

Todos concordamos que ter uma equipe que demonstra um bom futebol é um sonho realizado para todos os treinador. Mas, não podemos esquecer que, os atletas também tem as suas vontades e desejos. Para alguns, fazer parte de uma equipe que demonstra um futebol magnífico é o suficiente. Para outros, há necessidade de ganhar títulos todas as temporadas, ter suas fotos estampadas nas capas de jornais e revistas, ser convidado para entrevistas em programas esportivos nas segundas-feiras (pós) domingos decisivos (e destes sair campeão).

Sabemos que para uma equipe demonstrar um futebol bonito, demanda tempo! Sabemos que se a equipe, joga bonito, a vitória virá! Ter uma equipe que joga bonito, com certeza ganharemos a partida, mas, para ganhar um campeonato, a equipe necessita de elenco! Hoje no futebol moderno (com várias competições simultâneas) a equipe que possuir o melhor elenco será grande favorita nas competições que disputará.

O campeonato brasileiro que inicia no sábado comprova isso!




domingo, 15 de maio de 2011

JOGO: FERRAMENTA FUNDAMENTAL PARA O TREINADOR


O que vem a ser um bom produto para o futebol?

Começo este post com esta simples pergunta! Que, para meu espanto, poucos sabem responder (eu responderei mais a frente).

Muito tenho ouvido sobre o processo de profissionalização do futebol brasileiro (que por muitas regiões do nosso imenso país ainda engatinha). Para mim, um dos fatores que devem ser priorizados para a profissionalização do nosso futebol é a FORMAÇÃO! As mudanças na Lei nº 9.615 (Lei Pelé), que outorga o clube formador, é uma prova disso.

Mas que tipo de formação queremos? Os dirigentes dos clubes sabem que profissionais contratar para essa função de suma importância para um bom andamento de clube de futebol?

Existem alguns bons exemplos a serem seguidos na questão de formação pelo mundo a fora, o mais extraordinário do momento é o caso do FC Barcelona. Que tem na sua base da equipe principal mais de 70% jogadores formados em La Masia.

Sabemos que o jogo é o mais rico instrumento que o treinador possui para o ensino do futebol. Mas o jogo a que me refiro, não é o jogo formal, mas, às formas do jogo que simplificam a estrutura complexa do jogo. Pois sendo o futebol um esporte no âmbito dos Jogos Desportivos Coletivos (JDC), não podemos entende-lo fragmentado. Para aqueles que preferem os trabalhos analíticos, temos que percebem o seguinte. Segundo Maçãs e Brito (2000):

"A execução técnica só tem significado se for resposta a uma exigência tática. Neste sentido, todas as ações individuais e coletivas não devem ser encaradas como objetivos em si mesmas, mas como os meios através dos quais os jogadores e a equipe materializam as suas intenções táticas na procura de um objetivo comum".

 Enfim, muitas perguntas assombram o pensamento de treinadores no momento da construção de um planejamento para se iniciar um trabalho desta magnitude de formação de jogadores.
  •  Qual o papel do jogo (exercício) no processo de treinamento?
  •  Quais os aspectos a considerar na estruturação dos jogos (exercícios)?
  •  Como caracterizar e classificar os jogos (exercícios)?
  •  Quais os jogos (exercícios) mais recomendáveis para o treinamento de futebol em suas respectivas categorias?
Isto, é o que eu procuro fazer com o meu planejamento antes de iniciar o trabalho no início do ano, utilizar esta ferramenta (jogo) da forma mais segura e coerente possível com as respectivas categorias que trabalho.

Um bom produto de futebol é um time que ganha. E um time vencedor é formado em casa, com filosofia do clube, estrutura para trabalhar e o principal, material humano qualificado na condução e execução dos trabalhos, tanto de campo como administrativo. O FC Barcelona é exemplo disso.

Referência

MAÇÃS, V.; BRITO, J. Os factores de jogo em futebol. série didáctica UTAD, Vila Real, 2000



domingo, 8 de maio de 2011

JOGO PARA A FINALIZAÇÃO

Princípio: Preparação para a Finalização

Sub-Princípio: Momentos da Finalização

Complexidade: 2 (Média)

Objetivo: Utilização dos espaços/passe e penetração

Adaptação Biológica: Mobilidade Específica

Materiais: Discos, coletes e bolas

Descrição

Número de jogadores 9 (3:1 em cada espaço demarcado + 1 goleiro) Dimensões: 1/3 campo

Jogo específico 3:1 em cada espaço demarcado. A equipe em superioridade numérica tem que realizar cinco passes com a oposição de um defensor, dentro do espaço demarcado, para depois realizar um passe para a entrada da área penal para a finalização de primeira do companheiro que penetra para a finalização. O jogo segue no outro espaço demarcado, sempre assim, uma finalização, com a bola vinda de cada espaço por vez.

domingo, 1 de maio de 2011

SITUAÇÕES DE DESEQUILÍBRIO - DRIBLE E RETIRADA DO SETOR DE PRESSÃO


As situações de desequilíbrio dizem respeito mais comumente à condição numérica desfavorável do setor defensivo em relação ao ofensivo, surgidas ou impostas a uma equipe. Mas existe também os importantes desequilíbrios de posicionamento. O jogo das táticas no futebol se caracteriza pela constante busca das equipes em criar situações de desequilíbrio numérico ou de posicionamento em seu favor. São proporcionadas por ações individuais (os dribles) ou coletivas (retirada do setor de pressão [viradas de jogo]).

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Mas, para realizar essas situações de desequilíbrio é preciso ter Velocidade de Decisão!

Segundo Weineck (2004), em exigências de decisão simples, o tempo de decisão é mais curto do que em processos decisão que exigem escolhas múltiplas ou difíceis reações de escolha. O mesmo ocorre no tempo de decisão em ações não costumeiras, [...].

Por conta disso, quem tem responsabildades de comandar as sessões de treinamento, deve ter a obrigação de oportunizar ao máximo todas as situações que uma partida de futebol oferece através de jogos. Assim, evitamos a formação de jogadores confusos.

Segundo Schellenberger (1985) apud Weineck (2004), todos os jogadores deveriam receber de forma objetiva e racional um processo de análise de situações de jogo, em que, de acordo com o seguinte plano tático, dever-se-ia proceder assim:
  •  Se a finalização for possível, então eu escolho finalizar;
  •  Se a finalização não é possível, então eu procuro passar a bola a um companheiro mais bem colocado; ou
  •  Se a situação impede a realização de finalização ou um passe, então, eu procuro solucionar a situação por meio de um drible.
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Referência

WEINECK, Jürgen. Futebol Total: o treinamento físico no futebol. Guarulhos - SP: Phorte Editora, 2004.